Na colina os sinos tocam, é tempo de celebração!

Na colina os sinos tocavam anunciando o inicio de mais uma celebração, dando andamento à melodia que ecoava das treze cordas do violão do grande músico Aluisio Laurindo, que fez reverberar em nosso interior os sons do Espírito. E como em toda boa canção uma pausa se fez. Uma pausa para relembrar a voz de um grande mestre que se foi.

 

Dom Robinson Cavalcanti deixou-nos boas memórias, deixou palavras proféticas recitadas pelo aluno Júcelio Carvalho:

“A vida passa rápido. Não é a duração da vida o mais importante, mas sim a capacidade de transformá-la em algo significativo”.

 

A música continuou com o vibrar das cordas em melodias antigas, acompanhadas com as batidas da percussão, era como se o músico Fernandinho estivesse traduzindo o som que emanava de seu coração. Entre canções e orações, a Palavra que traz vida foi recitada como em grande coral.

 

“Bendize ao Senhor, vós todas as suas obras (…) Bendize, ó minha alma ao Senhor!” Sl 103.22

“Precisamos falar sobre Robinson”, anunciava o Pr. André Sant’Anna como titulo da mensagem que tocou nossos corações e nos inspirou a olhar para o próximo, a se importar com o próximo, para manter acessa a chama do evangelho, como o D. Robinson fazia. (Leia a mensagem completa transcrita no final deste texto)

E a paz dos Senhor nos conduziu de voltas às salas de aula.

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“Os poucos alunos que não foram perderam muito. Perderam por não ouvir um louvor bacanérrimo, por não saborearem as palavras de uma mensagem tão pastoral, atual, verdadeira e, sobretudo, humana, focada no outro que precisa de acolhimento, de cuidado. Foi uma mensagem que tocou, retorceu a alma, de verdade. Além disso, juntar em 15 minutos de forma magistral Fernando Pessoa, Adélia Prado e Guimarães Rosa me deixou completamente sem ar…” Profa. Dra. Teresa Akil (Coordenação Geral Acadêmica).

“Uma celebração diferente, contextual e inspiradora.” Victor Capucho (aluno do 5º período de Teologia)

Organização: Centro Acadêmico Doutor Shepard (Damaris Esperque, Gustavo Martins, Jucélio Carvalho, Lucas Cordeiro, Rafael Dias, Raphael Fernandes).

Agradecemos à Profª Westh Ney pelo apoio, carinho e instruções para elaboração do Culto e a todos que de alguma forma participaram.

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 Mensagem – Pr André Sant’Anna

Precisamos Falar Sobre Robinson Cavalcanti?

            Aprendemos com Jesus que somos “sal da terra e luz do mundo”, seguindo esta perspectiva é possível afirmar que uma luz se apagou em Olinda, pois Robinson Cavalcanti, Bispo da Igreja Anglicana e sua esposa Miriam Cavalcanti foram assassinados na noite de domingo dia 26 de fevereiro. O filho adotivo do casal, usuário de drogas, que morava nos Estados Unidos e estava no Brasil há 15 dias, é o principal suspeito de ter esfaqueado o casal.

            O Reverendo Robinson Cavalcanti, conhecido por seu envolvimento e engajamento nas questões sociais, não temendo assumir posição em temáticas delicadas tais como política, sexualidade, política eclesiástica e tantas outras, nos desafiou através da sua vida a enfrentar a escuridão da opressão através da luz do evangelho.

            Segundo Bauman, sociólogo polonês dos mais respeitados na atualidade, em uma sociedade de consumo o princípio norteador não é o acumulo e sim o descarte. Nesta perspectiva, assim como descartamos celulares, computadores, automóveis, também descartamos notícias e manchetes das mais importantes, para substituir por outras mais recentes e com cheiro de novidade. De modo que por mais entristecidos que estejamos com a morte de Robinson Cavalcanti, o risco é que amanhã esta notícia seja esquecida e trocada por tantas outras que nos são empurradas neste imenso mar de informações.

            Precisamos falar sobre o Robinson Cavalcanti, não para transformá-lo em mártir ou mesmo sacralizá-lo, mas sim para que os valores de sua caminhada não se apaguem com sua morte. Gostaria que lêssemos o texto de João 6.1-7 na busca de posturas que são estruturantes na caminhada da igreja de Jesus.

            Precisamos falar sobre o Robinson para que sejamos desafiados em meio à escuridão a iluminarmos este tempo quando…

  1. Enxergamos de novo o outro.

Enquanto os discípulos avistam no drama vivido pelo cego apenas um problema teológico e os fariseus embotam a sua cura através do debate sobre os rigores da lei, Jesus ao passar viu o homem.

Por vezes, de tanto ver não vemos mais, não é sem razão que Fernando Pessoa nos convida a recuperamos o olhar pasmado das crianças, que vê tudo como se fosse a primeira vez.  De tanto ver deixamos de ver paisagens, monumentos, sofrimentos e tragédias. Jesus viu um homem sofrendo, marginalizado e obscurecido por uma teologia míope.

O psicólogo Fernando Braga, escreve o texto Homens Invisíveis, onde descreve sua pesquisa no campus universitário onde ao utilizar as roupas da equipe responsável pela limpeza e se juntar ao trabalho deles, descobre que se viu dotado de invisibilidade pois até mesmo colegas do curso não o viam mais e nem ao menos o cumprimentavam, assim como os outros. Quantas vezes condenamos as pessoas no caminho à invisibilidade ou as tornamos apenas numa citação em nossos debates.  Para que o evangelho seja transformador faz-se necessários que seus discípulos vejam as pessoas para quem compartilhamos a mensagem.

2) Falemos de novo com o outro

Enquanto os discípulos falam sobre o cego, Jesus subverte o debate e fala com ele. Não se trata apenas do conteúdo do que os discípulos discutiam, mas para onde mantém o fluxo de suas palavras.  O Mestre nos ensina a falar com os que sofrem, a falar com os que estão marginalizados e permitir que nossas palavras seja esperança para os desencorajados.

No filme Fale com Ela de Almadôvar, o namorado de uma toureira que vê sua mulher em um permanente estado de coma criando assim um distanciamento afetivo, recebe do enfermeiro que passa por uma drama parecido apenas um conselho: fale com ela.

Em muitos momentos a causa dos marginalizados estão em nossos discursos, mas não os convidamos para sentarem-se a nossa mesa e conversarmos com eles. Para que o evangelho seja luz para os que caminham em dias sombrios, precisamos que a palavra seja dada aos que dela precisam.

3) Toquemos de novo no outro

O milagre acontece quando Jesus toca o que está excluído. No toque Jesus encurta distâncias, cria proximidade e compartilha afeto. O ministério de Jesus não é feito em escala industrial para atingir as massas, mas acontece ao atingir singularmente quando alcança cada pessoa com uma espiritualidade artesanal.

Na multiplicação dos pães e peixes, Jesus se sensibiliza com a fome da multidão e opera o milagre. Milagre em Jesus não é pirotecnia evangélica e nem estratégia para atrair multidões, mas resposta ao sofrimento do outro. Cada vez que a igreja age em meio a dor do outro, o milagre já está acontecendo.

No documentário produzido pela HBO, A Paixão, há uma cena onde Jesus coloca a cabeça de um enfermo no colo e começa a limpar as feridas, convidando os discípulos a fazerem o mesmo com os outros. Não há milagre, nada de extraodinário ou quem sabe o milagre seja os homens sendo despertos de sua indiferença e colocando-se a serviço do outro.

Concluindo, de fato a vida é cheia de riscos. Podemos nos ferir ao tentar ajudar o outro ou como dizia Riobaldo, o jagunço herói do romance Grande Sertão: Veredas, “viver é muito perigoso”. Porém, diante dos riscos da existência, dos desafios de exercer o ministério podemos nos encolher amedrontados ou nos permitir sermos guiados pelo Pai.

Adélia Prado, vai orar em seu poema “oh Deus me dá a mão, me dá de novo cinco anos, me cura de ser grande” desconfio que Adélia leu o Salmo 23 onde o salmista diante de uma variedade de cenários: pastos verdejantes, águas tranqüilas e até vales sombrios diz que segue pois “não temeria mal algum, pois Tu estás comigo”. Em meio às avenidas perigosas que estão diante de nós, assim como fez Robinson Cavalcanti, seguremos nas mãos do Mestre e nos deixemos ser guiados por Ele, pois o Senhor nos fará chegar onde precisamos ir. Deus nos conduza em meio à escuridão para que sejamos luz para este tempo!

Pr André Sant’Anna – IB da Redenção – (alosantanna@hotmail.com – 21 3272-6733)

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Uma resposta para Na colina os sinos tocam, é tempo de celebração!

  1. É muito bom ver os elogios pelo belo trabalho. Comentários como estes demonstram o apoio que o CADS tem recebido, tanto de alunos quanto da Instituição. Isso bom porque demonstra unidade entre ambos.

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